domingo, 31 de outubro de 2010

53º Aniversário da IPF do IPSEP


Subtema: A igreja da superfície: Curando a superficialidade da Igreja pela Palavra.
“Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”.
(Jr. 6:14)

INTRODUÇÃO:

No livro Morte na Panela, Uma Ameaça Real a Igreja o Rev. Hernandes Dias Lopes trata em seu prefácio da situação em que se encontra as igrejas em nosso país, poderíamos dizer que esta enfermidade tem levado muitas igrejas antes sérias e comprometidas com a fiel pregação da palavra a verdadeiras UTI’s
(unidade de terapia intensiva), espiritual; por quer não dizer Unidade de Tratamento Espiritual UTE?
“Não podemos tratar de um problema antes de diagnosticá-lo. A prevenção é o melhor caminho para uma vida saudável. Mas é preciso dizer que uma doença grave está atingindo as entranhas da igreja em nosso país. Essa doença está sendo causada por intoxicação alimentar... A igreja Evangélica brasileira não está precisando de maquiagem, e, sim de cirurgia.”
Ao nos propormos a falar da igreja da superfície e como curar a superficialidade da igreja pela Palavra não poderíamos antes de tudo de fazer um alto-exame de nossas vidas, situação espiritual um verdadeiro permitam-me utilizar mais uma vez um termo médico Diagnóstico da nossa situação como igreja, denominação e sobre tudo; como cristãos. (do grego original διαγηοστικόη, que é a junção de duas Expressões dia que significa "através de, durante, por meio de" e gnostico que significa "conhecimento de").

EXPOSIÇÃO:

Pegando a definição de diagnóstico como o conhecimento da doença por meio de exame; colocamos-nos inteiramente a mercê da graça de Deus e buscaremos com muito temor e tremor tratar deste assunto. Permitam-me, expor para vocês o diagnóstico da situação das igrejas feitas por alguns irmãos conhecidos nossos:
O Rev. Hernandes Dias Lopes diagnosticou em seu livro já citado que:
“A igreja hoje cresce em número, mas decresce em credibilidade. Ela tem extensão, mas não profundidade (superficial). Ela tem influência política, mas não poder espiritual. Ela tem carisma, mas não caráter. Ela tem muita adesão, mas pouca conversão.”

O Rev. Augustus Nicodemus em sua obra intitulada O que estão fazendo com a igreja denuncia a situação da igreja em nossos dias:
“Falando sem rodeios, os neolibertinos presentes nas igrejas evangélicas defendem o sexo antes do casamento, a multiplicidade de parceiros, as relações homossexuais, a troca de esposas e maridos, a pornografia, as aventuras amorosas fora do casamento, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, a participação dos cristãos nas diversões mundanas....”

Amados irmãos, o que fazer com está igreja doente que vive na superfície do evangelho, uma igreja que não tem profundidade; como reagir diante de um quadro tão assustador como este em que a igreja moribunda esta prestes a se render ao mundo? Passemos agora ao remédio, curando a superficialidade (enfermidade) da igreja pela palavra é necessário antes de tudo reconhecer-mos que a igreja está doente.

I - Primeira enfermidade: DIVERSOS PECADOS NÃO TRATADOS.

“Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela conserva fresca a sua maldade; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuadamente”. (Jr. 6:7)

Pra começar não basta apenas pedir perdão a Deus pelos nossos pecados e continuarmos cometendo os mesmos pecados continuamente em Pv. 28:13 nos diz: “ O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que confessa e deixa alcançará misericórdia”. Vemos no texto o profeta usar a expressão proverbial antiga: Como o poço conserva frescas as suas águas, referindo-se aos pecados não confessados e abandonados pelo povo de Deus. Notem que estes pecados faziam do povo de Deus enfermos espiritualmente, estes pecados encobertos traziam terríveis conseqüências ao povo.

Notem imediatamente no versículo 8 o apelo a correção por meio da disciplina imposta por Deus para correção da superficialidade e enfermidade do povo: Aceita a disciplina, ó Jerusalém... (Jr.6:8). No livro Disciplina na Igreja Uma Marca em Extinção o presbítero Solano Portela diz algo interessante:
“Ás vezes achamos que ignorando as manifestações de pecado, ele irá embora... Não é negando a realidade dos pecados, na igreja ou em nossas vidas, que resolveremos o problema”.

E por falar em disciplina ela é tão séria que os próprios reformadores colocaram o exercício da disciplina ao lado da Pregação da Palavra e Administração dos Sacramentos com marcas da verdadeira igreja de Cristo que se distingue da falsa: “... A Igreja verdadeira é reconhecida pelas seguintes marcas: Ela pratica a pura pregação do evangelho; mantém a pura administração dos sacramentos segundo Cristo os instituiu; exercita a disciplina na igreja para correção e punição dos pecados...” (Confissão de Fé Belga, Art. 29, As marcas da verdadeira e da falsa igreja).

II - Segunda enfermidade: PECADO DA IDIFERENÇA PARA COM A PALAVRA DE DEUS.

“A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e eles não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela”. (Jr. 6:10).

Assim como o doente não pode ficar curado se não tomar o remédio e seguir as prescrições médicas, os nossos pecados não serão perdoados se não atentarmos para a Palavra de Deus. Estamos vivendo uma crise no culto em nossas igrejas, Ficamos 40 min. há 1 hora na fila de um banco em pé mais quanto tempo suportamos ouvir um sermão do nosso pastor em nossas igrejas? Escutamos o professor em nossa faculdade lecionar 2 horas de aula interruptas, mas quanto tempo temos nos dedicado a aprender com o nosso professor de escola dominical as doutrinas da graça?

Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e eles não podem ouvir, Está é a realidade em muitas igrejas, seus ouvidos estão precisando de conversão! Nunca aprendem estão ouvindo a Palavra há tanto tempo e nunca se desenvolvem na fé, são imaturos, são como crianças: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido!” (Hebreus 5:12).

III - Terceira enfermidade: VIVEM UMA VIDA DE APARÊNCIA, BUSCAM APENAS SEUS INTERESSES PESSOAIS.“

"Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade”. (Jr. 6:13).

IV - Quarta enfermidade: OS PECADOS SÃO TRATADOS DE FORMA SUPERFICIAL/LEVIANAMENTE E O CINISMO RELIGIOSO.

“Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”. (Jr. 6:14)

Precisamos amdos irmãos, queridos pastores e presbíteros, dar um tratamento de choque contra o pecado da igreja. Se preciso for perder um membro do nosso corpo para que o resto sobreviva precisamos ter coragem de estripar o mal da igreja do Senhor.

“Porventura envergonham-se de cometer abominação? Pelo contrário, de maneira nenhuma se envergonham, nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto cairão entre os que caem; no tempo em que eu os visitar tropeçarão, diz o Senhor”.(Jr. 6:15)

CONCLUSÃO

“Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele.” (Jr. 6: 16)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mensagem S.O.S. Jovem na Cidade de Patos- Paraíba- Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil 09 e 10 Outubro de 2010


TEMA: LEVANDO DEUS A SÉRIO: QUEM SÃO OS QUE NÃO LEVAM DEUS A SÉRIO?
Texto: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.” (Gl. 6:7, NVI)

INTRODUÇÃO:

Antes de começarmos com o sermão desta noite gostaria de lhes lembrar de alguns acontecimentos e dando alguns exemplos de pessoas que não levaram Deus a sério:
NAVIO TITANIC (1912): Na ocasião em que foi construído, apontaram-no como o maior navio de passageiros da época. No dia de entrar em alto-mar, uma repórter fez a seguinte pergunta para o construtor: "O que o senhor tem a dizer para a imprensa concernente a segurança do seu navio?" O homem disse: "Nem Deus poderá afundar meu Navio". O resultado foi o maior naufrágio de um navio de passageiros do mundo 1500 pessoas morreram!

JOHN LENNON (1980): Depois de dar uma entrevista a uma revista americana, John disse, em 1966: "O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso. Eu estou certo. Jesus era legal, mas não concordo com suas disciplinas. Hoje, nós somos mais populares que Jesus Cristo”. No mesmo ano da entrevista um fã matou John Lennon com Cinco tiros.

TANCREDO NEVES (1985): Na ocasião da campanha presidencial, Tancredo afirmou que se tivesse 500 votos do seu partido (PDS) “nem Deus o tiraria da presidência da república”. Foi eleito presidente da república mais nem chegou a subir a rampa do planalto morreu no hospital um dia antes da posse.

CAZUZA (1990): Em um show no Canecão (Rio de Janeiro), cazuza deu um trago em um cigarro de maconha, soltou a fumaça para cima e disse: “Deus, essa é para você!” Nem precisa falar em qual situação morreu esse homem.

CAMPINAS (2005): Em Campinas, uma turma de amigos, já embriagados, foi buscar a última pessoa para ir a uma balada. Pararam em frente da casa da jovem e a chamaram. Junto com a moça veio à mãe que, com medo uma vez que todos estavam embriagados, pegou na mão da filha, que já estava dentro do carro, e disse: "Filha vai com Deus que ele te proteja”. A filha, para tirar uma onda com a mãe, disse: "Só se ele for no porta-malas, pois aqui já está lotado”. Algumas horas depois veio a noticia para os familiares dos jovens. Eles sofreram um acidente e todos morreram. O carro ficou irreconhecível, mas o porta-malas ficou intacto. A polícia técnica disse que pela violência do acidente seria impossível o porta-malas ficar intacto, quando o policial abriu o porta-malas, lá estava uma bandeja com 18 ovos sem nenhum arranhão, e todos nos lugares corretos da bandeja.

I-QUAL O CARÁTER E A POSTURA DAQUELES QUE NÃO LEVAM DEUS A SÉRIO?

Permitam-me fazer um pequeno comentário exegético do texto que nos permitirá continuar definindo claramente em nossas mentes aqueles que não levam Deus a sério.

O texto lido no original grego traz a seguinte tradução literal: Gálatas 6:7b
“”
“Não vos enganeis Deus não é tratado com desprezo...” (tratado com desprezo do léxico: Rir-se de, zombar, tratar com indiferença, não levar a sério). Esta definição deriva da mesma idéia da palavra Sarcasmo (do grego antigo σαρκασμός “sarkasmos” ou “Sarkázein”; Sarx=“carne” Asmo= queimar “queimar a carne”) designa um escárnio ou uma zombaria, intimamente ligado à ironia com um intuito mordaz quase cruel, muitas vezes ferindo a sensibilidade da pessoa que o recebe.Esta é a definição semântica da palavra em alguns dos seus possíveis significados.


Exposição:

Antes de nos prendermos ao tema proposto “Quem são os que não levam Deus a sério” prossigamos. Após a apreensão e compreensão de que: Os que tratam Deus com sarcasmo, indiferença, que zombam são os que não levam Deus a sério. São vários sinônimos atribuídos ao mesmo significado ou idéia.

II. QUEM SÃO OS QUE NÃO LEVAM DEUS A SÉRIO, QUEM SÃO OS QUE ZOMBAM DE DEUS:

(1) São os que se entregam à falsa religiosidade:

“Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção...” ( Gl. 6:8ª). Fica evidente aqui neste texto que a vida de falsa religiosidade, ou os que são meros “crentes nominais” me refiro aqueles que fazem parte do rol de membro de qualquer igreja; que vivem de modo incoerente com os ensinamentos da Palavra de Deus, estão totalmente equivocados(enganados) aliás; esta foi a exortação inicial de Paulo: “Não vos enganeis...” . Paulo está deixando para eles claro a seguinte idéia parafraseando o texto: “Não se enganem, ninguém pode tratar Deus com indiferença, e não adianta agir com sarcasmo diante disto que eu estou lhes dizendo, porque é certo que: O que vocês fizerem de errado as conseqüências dos seus erros voltarão para vocês.”

(2) São os desobedientes:

“Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra.” (Tito 1:16). Paulo mais uma vez está tratando do problema dos que se diziam cristãos mais em suas vidas negavam Cristo. Estes falsos cristãos foram chamados por Paulo nos versículos 9 e 10 de: “Contradizentes, insubordinados, faladores vãos e enganadores.” É possível que exista pessoas desta qualidade na igreja hoje? Infelizmente eu receio que sim! Notem tudo começa com a desobediência dos membros às autoridades constituídas por Deus, e porque desobedecem aos pastores e liderança das igrejas por que são insubordinados, ou seja; não se sujeitam a missão do outro (insubmisso) são rebeldes, pois não acatam nem respeitam nenhuma autoridade. São contradizentes por que agem ao contrário dos ensinamentos da Palavra de Deus: “Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hb. 13:20)

(3) São hedonistas (hedonismo) Estão em busca dos prazeres:

“Agora, pois ouve isto, tu que és dada a prazeres, que habitas descuidada, que dizes no teu coração: Eu sou e fora de mim não há outra; não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos. 9-Mas ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez; em toda a sua plenitude virão sobre ti... “ (Isaias 47:8a). Que terrível sentença nós temos da parte de Deus pelo profeta Isaias. Quão horrenda serão as conseqüências sobre os cristão “vida mansa” me refiro nestes termos com base em um livro de J.I. Parcker por título: Religião Vida Mansa, que trata da Teologia do prazer e do desafio do crente em viver num mundo materialista. Amados o hedonismo é a filosofia em que o homem busca o prazer com dom supremo.

Origem da filosofia do prazer (hedonismo)
Epicuro (341 – 270 a. C) filósofo grego nascido em Samos; O ponto básico de sua doutrina é o prazer onde eles se entregavam aos excessos dos festins e as orgias. Enquanto o prazer é o soberano bem, a dor é o soberano mal. Segundo a moral hedonista tem que se eliminar toda a dor.E praticar A ataraxia “ausência de perturbação” (que é um estado da alma em que nada consegue perturbá-la), ela fica impassível ou seja o indivíduo deve se despir de toda e qualquer coisa que lhe traga preocupações. Realidades como pecado, morte, castigo, condenação e inferno jamais poderiam ser aceitas pelos adeptos desta filosofia). Vejam alguns destes filósofos que Paulo encontrou em Atenas em sua viagem missionária e notem como está filosofia os impediu de entenderem o evangelho de Cristo.


“Ora, alguns filósofos epicureus e estóicos disputavam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece ser pregador de deuses estranhos; pois anunciava a boa nova de Jesus e a ressurreição... “Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos ainda outra vez.” (At:17:18 e 32). Hoje também muitos estão tendo a mesma reação dos epicureus uns escarnecem a mensagem do evangelho outros estão deixando para amanhã. Estão vivendo suas vidas despreocupadas com as verdades do evangelho do Senhor Jesus, estão zombando da mensagem da cruz, estão procurando nos prazeres deste mundo uma filosofia de vida da qual nem eles mesmos sabiam que existia. Estão pouco preocupados com o pecado a vida de santidade. Estão vivendo como se estivessem no mundo da lua, despreocupados, indiferentes a mensagem de arrependimento e fé, não levam a mensagem nem o próprio Deus a sério.

(4) São os que se esquecem do fim, das advertências, de que a vida é rápida e passageira:
Creio que a conseqüência final e lógica na vida dos que não levam Deus a sério está bastante clara neste texto. Algo mais que deveríamos repensar sobre as nossas vidas é que: “Do nosso passado nós somos escravos, porém do nosso futuro nós somos senhores”. Não estou dizendo com isto que temos o poder de mudar os desígnios soberanos de Deus, nem que podemos nos rebelar contra os eternos decretos de Deus. Podemos com a graça Dele, e com o auxilio do Espírito Santo despertarmos da letargia espiritual e nos lembra-mos de Deus enquanto há tempo.

“Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos em que dirás: Não tenho prazer neles; 2-antes que se escureçam o sol e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;3-no dia em que tremerem os guardas da casa, e se curvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas,4-e as portas da rua se fecharem; quando for baixo o ruído da moedura, e nos levantarmos à voz das aves, e todas as filhas da música ficarem abatidas;5-como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho; e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e falhar o desejo; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça;6-antes que se rompa a cadeia de prata, ou se quebre o copo de ouro, ou se despedace o cântaro junto à fonte, ou se desfaça a roda junto à cisterna,7-e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.” (Eclesiastes 12:1-7)

“Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança. 7-Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem. 8-Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais. 9-Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir”. (Jo 7:7)


Conclusão:

Que possamos levar Deus a sério que possamos confiar no seu amor, constatar sua soberania, compreender sua salvação, que tenhamos em Cristo essa plena salvação, que se nos oferece pela graça somente. O Tempo é curto os anos passam que tenhamos certeza que todos prestarão contas diante do soberano Senhor que nos criou Amém.














* O Rev. Luciano Gomes da silva é Pastor da Igreja Presbiteriana Fundamentalista em Aldeia, Professor do Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil, Pós-Graduado em Teologia exegética pelo Seminário Presbiteriano do Norte, Pós-Graduando em Hebraico Bíblico pela UFPE e graduando em Letras pela Faculdade São Miguel em Recife.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Resenha: Por que (Não) ensinar gramática na escola - Sírio Possenti -Parte I


Resenha Crítica do Livro: Por Que (NÃO) Ensinar gramática na Escola - POSSENTI, Sírio – Editora ALB – 15ª Reimpressão – 2006.

Introdução:

O título do livro a primeira vista parece-nos sugerir uma proposta atípica do ponto de vista tradicional do ensino educacional que fomos habituados a aprender. O autor expõe de forma bastante desafiadora questões fundamentais relativas à natureza e o aprendizado das línguas de uma ótica que passaremos a chamar de “aplicação inversa” dos fundamentos gramaticais. A abordagem do tema em questão “Não ensinar gramática na Escola” é mais bem esclarecida quando Possenti elucida e conceitua na segunda parte do livro os três tipos de gramáticas. O leitor menos avisado pode supor pelo título do livro que Possenti está derrubado toda estrutura educacional em detrimento de uma nova abordagem; entretanto fica claro com a continuidade da leitura da sua obra que ele propõe exatamente o contrário, sugere a releitura da aplicação das gramáticas(Normativas, descritivas e internalizadas) percorrendo um caminho inverso ao que estamos habituados a ver nas escolas.
Corroborando com esta idéia permita-me dar o exemplo do que foi dito pelo prof. Vicente Masip em um curso de capacitação para educadores na UFPE:

“A criança ingressa na escola falando perfeitamente o português. Esse fato extraordinário, porém; pouco sensibiliza os alfabetizadores, preocupados apenas por ensinar seus alunos a ler e escrever.” [Citação da capa final do livro: Fonologia e ortografia portuguesas – Editora E.P.U. Pelo autor Vicente Masip por ocasião do curso ministrado na UFPE no auditório do CAC em Julho de 2010]

Hipoteticamente imaginemos que um dos pré-requisitos para se ensinar a língua portuguesa seja o falar a língua portuguesa. Obviamente que se falamos uma determinada língua supõe-se que o falante domine determinadas “regras” desta língua, se preferir “estruturas gramáticais”. O conceito de um conhecimento interiorizado ou como definia Chomsky “Herança biológica” é levado em conta quando ensinamos na escola? Estamos respeitando o fato dos alunos de fala portuguesa que possuem este conhecimento inato da sua língua materna ou estamos tentando fazer exatamente o caminho “contrário” ou se é que podemos dizer o caminho “artificial” (no que se refere ao caminho contrário o da natureza do falante). Estes e outros temas são abordados nesta magnífica obra, de sorte que veremos os pormenores desta e outras questões a seguir.

Exposição:

Possenti inicia sua obra justificando o embate dicotômico entre ensinar ou não a gramática normativa nas escolas. O prof. Sírio Possenti é professor de lingüística da Unicamp, para alguns talvez está seja a razão de um pré julgamento com o tema proposto pelas discursões entre os gramáticos e os lingüistas com relação ao aprendizado da língua. Este aparente paradoxo entre ensinar a língua e ensinar a gramática é quebrado por Possenti, embora ele critique diretamente o método empregado nos “Programas de ensino” . Ele acredita que estes programas de ensino não são eficientes, não funcionam por que seus discursos são novos, todavia suas práticas ou métodos de ensino são tão ultrapassados quanto às gramáticas normativas. Esta talvez seja uma proposta que ele chama de “revolução no ensino da língua portuguesa”. Se estaremos dispostos a rever os antigos discursos e torná-los praticáveis eis a grande questão.

O papel da escola no aprendizado da língua portuguesa

Inicio está sentença com a afirmação do autor: “O objetivo da escola é ensinar o português padrão”. Concordo com está afirmação por algumas razões obvias; primeiramente por que os falantes da língua portuguesa já tem internalizado as estruturas gramáticas da sua língua materna, ainda que na sua forma embrionária, vejamos um exemplo disto: Quando uma criança começa a pronunciar suas primeiras palavras e ela diz: /mama/ é óbvio que ela quer dizer mamãe. Agora notem a semelhança da palavra mamma em italiano que significa mãe usada em sua forma afetiva. Obviamente que a criança portuguesa não nasceu conhecendo o idioma italiano, o que temos aqui é uma noção do princípio da herança biológica, se a criança fosse nascida na Itália seria óbvio que ela estivesse chamando sua mãe; no caso da criança do Brasil está evidente que ela não consegue articular perfeitamente o fonema /ã/ que é produzido pela abertura do véu do palato deixando passar o ar pelo nariz e pela boca simultaneamente. Embora está realização pareça muito complexa a criança poderá desenvolver esta capacidade facilmente com o tempo; o que importa é que a mãe consegue associar perfeitamente o signo do seu significado, ou seja ela pode decodificar perfeitamente o significado.
Embora a criança não conheça os grafemas e os fonemas que fazem parte desta estrutura linguística elas aprenderam na escola este padrão.

*Luciano Gomes da Silva é aluno do curso de Letras pale Faculdade São Miguel - Recife Pernambuco.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CURSO GRÁTIS PELA UFPE


UFPE oferece curso gratuito de Língua Japonesa


As inscrições para o curso semestral de Língua Japonesa da UFPE começam na próxima segunda-feira (2) e seguem até o dia 13. O curso é gratuito e possui carga horária de 60 horas, com encontros realizados duas vezes por semana.
As aulas são ministradas por professores com especialização no ensino do idioma japonês, vindos diretamente do Japão. São oferecidas seis turmas para o nível Básico I e três turmas para o Básico II, todas com 20 vagas cada.
Para se inscrever, é necessário comparecer à sala do professor Armando Shinohara, no Departamento de Engenharia Mecânica, localizado no Centro de Tecnologia e Geociências (CTG), das 9h às 12h ou das 13h30 às 17h. No ato da inscrição, será cobrada uma taxa de R$ 90,00 para despesas de materiais didáticos utilizados ao longo do curso.
Mais informações:
(81) 2126.8230/8231
ufpelinguajaponesa@yahoo.com.br

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Combatendo os falsos mestres com Judas e João




INTRODUÇÃO

O problema dos falsos mestres é algo que assombra a Igreja do Senhor desde a igreja apostólica, entretanto quando pensamos em falsos mestres no presente século Pós-moderno logo nos vem à mente as figuras dos lideres das igrejas neopentecostais com sua teologia da prosperidade, os famosos testemunhas de Jeová, os adventistas do 7º dia e outros conhecidos nossos. Todavia ao reconstruirmos o cenário original, ocasião e contexto primitivo das igrejas do1º século, descobrimos algumas semelhanças entre a forma embrionária do erro cometido por eles e os erros cometidos pelos falsos mestres contemporâneos.

Principais falsos ensinos do I e II séc. no período da igreja Primitiva.

A partir dos falsos ensinos do Docetismo (do grego δοκέω dokeō, "parecer") e Gnosticismo, (tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento") estas heresias tornaram-se bastante popular entre os residentes nas igrejas da Ásia e Palestina devido ao processo de helenização, embora alguns eruditos discordem de um proto gnosticismo do II Século:
É dito que o tipo de heresia exposta é gnosticismo do segundo século.isto foi discutido na sessão sobre II Pedro, e determinado que este argumento não pode ser sustentado. A heresia era uma “visão do mundo” do primeiro século...( DAVID, Broadus Hale, Introdução ao estudo do Novo Testamento, Hagnos, 2001, p.400).

No entanto esta definição subjectiva afirmando de forma geral que a heresia do I século tratava-se de um tipo de “visão do mundo” não expõe de forma restrita o mais amplo que seria o contexto, pensamento e influências diversas que havia no período em que João assim como Judas combateram os erro dos falsos mestres denunciando-os haja vista que os seus ensinos haviam entrado na igreja e dessa forma ambos exortaram os crentes a perseverar na preservação da verdade do evangelho e fugir de todos os erros.
Berkhof na história das doutrinas cristãs trata esses falsos ensinos denominando-os de perversões gentílicas do evangelho e nos remonta a forma
rudimentar dos seus ensinos já na era apostólica :

Há indicações, no Novo Testamento, de que o gnosticismo já aparecera em forma incipiente nos dias dos apóstolos. Havia, já naqueles dias, mestres heréticos que derivavam seu impulso imediato do judaísmo, ocupando-se em especulações acerca de anjos e espíritos, e que se caracterizava por um falso dualismo, que redundava em ascetismo, por um lado, e libertinagem imoral pelo outro. (BERKHOF, Louis ,História das doutrinas cristãs, PES, 1993, p.44).

Assim com as perversões judaicas surgiram nos círculos rabínicos e se disseminaram entre as regiões e províncias onde havia forte influência grega, eruditos acreditam que seus falsos ensinos rudimentares surgiram possivelmente no período da ascensão de igreja, nos dias dos apóstolos, bem como o embate dicotômico que havia entre o ascetismo religioso de alguns grupos religiosos dentro do judaísmo como por outro lado a libertinagem que caracterizava outros grupos.
Possivelmente Judas esteja preocupado que estes “certos indivíduos” que infiltraram-se fraudulentamente. Pois o seu ensino consistia em uma doutrina baseada na libertinagem ou na prática de uma vida imoral: “Pois alguns homens que não temem a Deus entraram no meio da nossa gente sem serem notados, eles torceram a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para sua vida imoral.” (BLH)
A razão para esta infiltração de novas idéias e heresias talvez esteja no fato de que as religiões ocidentais não mais satisfaziam os povos cada vez mais influenciados pela filosofia grega, isto abriu as portas para as seitas dentro e fora das regiões da Palestina, mais precisamente nas igrejas orientais, onde constantemente eram surpreendidas com uma nova idéia ou heresia.

O século I tem sido considerado como um período de “crise de consciência”. Antigas visões de mundo e ideologias tornavam-se cada vez mais antiquadas. Novos cultos proliferavam. As pessoas, desenraizadas de seus lares e terras tradicionais, deparavam-se com declarações de verdades conflitantes conforme iam se reintegrando. As misturas e combinações entre crenças e comportamentos criavam o pluralismo que era somente com as religiões exclusivistas e fechadas, como o judaísmo e cristianismo. (BLOMBERG, L. Graig, Jesus e os evangelhos, Vida Nova, 2009, p.46).

Este seria um possível cenário descrito pela epistola de Judas, visto que diligentemente pregadores itinerantes foram abraçados avidamente por algumas igrejas, o seu alvo era satisfazer a sede por um conhecimento mais profundo de Deus, esta proposta levou o gnosticismo embrionário a um nível bastante atraente entre seus seguidores. Trataremos a diante de uma forma mais restrita os ensinos do docetismo e gnosticismo.

Propósitos e objetivos de Judas 1ª, 2ª e 3ª carta de João.

O foco destas cartas não está nas reafirmações teológicas que encontramos, por exemplo, nas cartas de Paulo, o que devemos considerar é algumas situações bastante específicas e peculiares naquela ocasião e local, o foco, portanto seria numa situação atual que necessitava de uma resposta imediata firme e contundente e isto nós percebemos claramente na 1ª de João, 2ª e 3ª e Judas.

É bom lembrar que o objetivo destas cartas não necessariamente foram escritas a uma igreja específica ou família como, por exemplo, na 2ª de João nós temos: (O Presbítero a senhora Eleita) embora haja três possibilidades quanto a pergunta: Quem era esta senhora eleita? Por hora ficaremos com a mais aceita de que a maioria dos eruditos credita que foram escritas aos cristãos de uma forma geral especificamente a igrejas localizadas na província da Ásia, daí sua classificação entre as epístolas gerais.


Qual o propósito e a quem escrita foi escrita à carta de Judas?

Não há afirmações conclusivas quanto a quem Judas estava pensando ao escrever esta carta se não as suposições correntes nos círculos de erudição de que provavelmente Judas tendo em vista uma situação de emergência sentiu-se obrigado a escrever as pressas uma carta que de forma objetiva e compreensiva e desta forma os seus ouvintes eram conhecedores dos termos e palavras escritas por Ele. Sendo assim não havia necessidade de uma exposição exaustiva do erro dos falsos mestres nem tão pouca a usual identificação das cartas endereçadas as igrejas tanto de Judeus como de gentios. Note também ouso da expressão “comum salvação” como afirma Michael Green:

Judas nunca teve o propósito de escrever esta carta! Propondo-se a escrever (o presente do infinitivo graphein sugere “ num estilo lento”? Acerca da nossa comum salvação foi forçado a pegar a sua pena às pressas (o aoristo do infinitivo grapsai ) por causa da notícia de uma heresia perigosa. Ao invés de escrever uma carta pastoral viu-se escrevendo um volante.( GREEN, Michael Comentário de II Pedro e Judas- - Mundo Cristão- 1983- p.151)

Apesar de não identificarmos claramente o endereçamento dos leitores da epístola de Judas podemos nitidamente perceber que o propósito foi de despertar os seus leitores e chamar-lhes a atenção a uma questão fundamental para preservação da sã doutrina que era a defesa da fé contra a apostasia. Percebe-se um propósito diretamente utilitário em advertir contra uma heresia que surgira de repente. A preocupação de Judas não foi com a Teologia propriamente dita mais Ele a considerou um breve, definitivo e firme posicionamento que exortava aos seus ouvintes a que mantivessem a fé que foi dada aos santos. (v3)

Quem eram os falsos mestres na carta de Judas?

Pouco se sabe sobre Eles a não ser pelas próprias peças deste pequeno, porém complexo quebra cabeça. Os falsos mestres descritos por Judas são indiretamente identificados como “indivíduos que se introduziram com dissimulação”(v4).Pois alguns indivíduos infiltraram-se fraudulentamente). Ou seja, alguns destes falsos mestres que são talvez alguns daqueles pregadores itinerantes que entraram sem ser apercebido nas comunidades e igrejas locais. Se adotarmos a definição do Léxico de F.Wilbur Gingrich :

(v) infiltra-se fraudulentamente ou introduzir-se inadvertidamente Jd.4. (F.Wilbur Gingrich,Léxico do Novo Testamento- Vida Nova-2007-p. 158).

Judas os acusa de praticarem a libertinagem e nisto se assemelha a definição de Berkhof: “...Caracterizava por um falso dualismo, que redundava em ascetismo, por um lado, e libertinagem imoral pelo outro.” [grifo nosso]. Este era em base o ensino difundido entre os falsos mestres que entraram nas comunidades e nas igrejas sem serem percebidos participavam das festas conhecida pelos cristãos como as Ágapes, introduziram divisões e conseguia convencer alguns, daí a pressa de Judas escrever esta carta para tratar com urgência os erros que estavam circulando nas igrejas.

O que reforça a tese de que esta carta foi escrita de uma forma geral, sem a pretensão de atingir uma igreja ou comunidade específica se reforça no fato de que o autor reafirma a necessidade de lembrá-los dos acontecimentos descritos na תּוֹרָה (Toha) e na obra apócrifa Judaica: A Assunção de Moisés. Sobre eles também é dito que tem algumas experiências que os elevam a um nível de experiência utópica que é definida como  (sonhador) sobre esta afirmação temos a seguinte informação:

Ao que parece tem experiências extáticas, que o autor chama de delírios .E se consideram superiores aos anjos (8.10). Parece que se situam acima da moral... (História da Literatura Cristã Antiga Grega e Latina-Cláudio Moreschine e Enrico Norelli-Edições Loyola-1996-p.180)

Algo digno de notável observação é a terminologia usada por ambos para designar os disseminadores dos falsos ensinos: 1 João 2:18; 4:1: (Anticristo), (pseudo profeta ou falso profeta). 2 João verso 7: ( enganador ou impostor) (Anticristo) e Judas (Alguns indivíduos). (A palavra derivada de s=humanidade.) Todos estes hereges do I e II século perturbavam a paz e harmonia da igreja é contra eles que os apóstolos estavam exortando a igreja a preservarem na genuína fé Cristã.
Seus ensinos heréticos estavam ameaçando a sã doutrina que os apóstolos com muito trabalho estavam preservando então Judas os faz lembrar: “” “Vós mais amados, lembrai das palavras anteriormente ditas pelos apóstolos.”(Jd. 17). Na expressão Aquilo que é dito, Palavra, dito expressão. dito antes, dito previamente ou mencionado anteriormente. Indica a preocupação de Judas com o ensino apostólico do qual eles deveriam perseverar, persistir naquilo que foi ensinado pelos apóstolos, e que não deveriam se desviar das instruções que receberam no passado e que deveriam continuamente batalhar em prol desta doutrina apostólica. A fortes indícios nesta epístola que os falsos mestres queriam instruir-los de forma contraria ao ensino apostólico e esta era a preocupação principal de Judas para que os irmãos não fossem enganados.
Algo semelhante Lucas registra em atos: ”E perseveravam na doutrina dos apóstolos” ”Doutrina dos Apóstolos”. A preocupação está expressa neste versículo, com a dos apóstolos, com o ensino dos apóstolos, com a instrução. Algo que os falsos estavam fazendo era distorcendo a instrução apostólica, estavam deturpando a verdade. Esta era uma das marcas dos falsos mestres itinerantes que Judas enfrentou nesta ocasião. Ao que parece podemos defini-los de impostores, tinham a aparência de profetas vindos de Deus para anunciar o evangelho, viviam entre os irmãos, se utilizaram da hospitalidade alheia para se beneficiar, no entanto não passavam de falsários.

Qual o propósito das cartas de João?

As três epístolas de João estão incluídas no grupo de escritos neotestamentários denominados Epístolas Gerais. Esta classificação pode ter sido útil par separar e identificar os vários livros do cânon. A primeira não tem característica usual de uma carta ( identificação introdutória do autor, emitente, remetente, encerramento e saudações finais), e a segunda e terceira são breves, pessoais e dirigidas a leitores específicos tratando de assuntos específicos.

A primeira epístola, por exemplo; foi escrita num tempo em que falsa doutrina, do tipo gnóstico, havia surgido e até levado alguns a se afastar da igreja (2.19). O gnosticismo assumia muitas formas, porém sua idéia fundamental parece que sempre foi a seguinte: a matéria é má, só o espírito é bom, porém pelo saber ( gnosis), de uma espécie só conhecida pelos iniciados, o espírito do homem pode libertar-se de sua prisão material e erguer-se para Deus. Onde tal sistema se associou ou se uniu ao Cristianismo, seguiram-se resultados sérios. Em primeiro lugar, negava a possibilidade de uma real encarnação, porque, sendo Deus bom, não Lhe era possível que viesse a entrar em contacto com a matéria má; e isto, por sua vez, afastava a possibilidade da expiação, porque o Filho de Deus não podia ter sofrido na cruz. Algo interessante sobre a o ensino gnóstico nos é informado:

Ora, sabemos... por isto, é frase característica da epístola. Às vezes, como aqui, a palavra é gnoskomen, presente verbal significando “vimos saber” ou “percebemos” (vinte e cinco vezes nesta epístola, no presente, no aoristo e no perfeito); às vezes é oidamen, o perfeito do verbo eidenai, e significa “sabemos de fato” , não pela percepção mais como algo evidente por si mesmo. (STOTT, John R. W.I, II e III João Comentário, Vida Nova, 2008, p.78)

A repetição destas expressões ao longo da epístola de João mostra de forma explicita a intenção primitiva do autor de fornecer provas conclusivas e contundentes pelas quais os cristãos tivessem possibilidade de discernir o verdadeiro cristão dentre os demais conforme: “Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus.” (I Jo 5:13).

De forma geral os gnósticos em particular se arrogavam conhecimento de Deus, que tinham sido iluminados pela verdadeira gnosis. João não nega a possibilidade de que tal conhecimento fosse possível mais não que este fosse algo sublime e reservado a um tipo de elite cristã mais que deveria vir acrescido de um conhecimento empírico. Este conhecimento experimental de Jesus não era nenhuma inovação ou coisa recentemente inventada, nem se ocupava de alguma figura mitológica, como as formas vagas dos mistérios gregos, mas de uma Pessoa genuína e histórica, que fora ouvida, vista e até apalpada: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida.” I João 1:1) A mensagem do Evangelho não é uma teoria ou conto de fadas, mas o registro da vida e da presença entre os homens do Deus vivo, de forma tangível na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo.
Igualmente, se a salvação vinha pelo saber, podia-se sustentar que era de todo sem valor uma vida correta, e as piores formas de gnosticismo acobertavam, com a capa do saber, repugnantes licenciosidades. Esta epístola tem por finalidade, expressamente declarada, expor e refutar essas idéias errôneas. João apresenta nesta epístola três sinais de um verdadeiro conhecimento a respeito de Deus e de comunhão com Ele, sem o que era falsa toda pretensão de se possuírem estes altos privilégios. Os três sinais são, primeiro, justiça de vida; segundo, amor fraternal; e terceiro, fé em Jesus como Deus encarnado". Esses três temas surgem continuamente, aqui e ali, através da carta.
Esta epístola é orientada por dois grandes pensamentos acerca de Deus. Deus é luz (1.5) e Deus é amor (4.8-16). Deus é o sol do firmamento espiritual, a fonte de luz para o espírito, e de calor para o coração dos Seus filhos. Daí procede a responsabilidade que os filhos tem de viver de acordo com os elevadíssimos padrões morais e, isto é, enfatizado repetidamente ( 2.1-6; 3.3,6,9; 5.1-3). Entanto, algo notável sobre a exortação nesta epístola é que não encontramos nada parecido com admoestação ríspida; pelo contrário. O escritor dirige-se aos leitores com conhecimento íntimo deles, com solicitude paternal e interesse afetuoso; "Filhinhos", "Amados", "Filhinhos, ninguém vos engane", "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos". Embora o propósito de João fosse combater as heresias e falsos ensinos ele não perdeu o foco do amor cristão e tratou estes assuntos com bastante rigor mantendo o equilíbrio entre o zelo e o respeito aos irmãos.


Qual o tipo de heresia, Quem eram os falsos mestres e como foram combatidos por João em suas cartas?

Em geral eruditos do Novo Testamento concordam que é o gnosticismo o tipo da heresia combatida entre o I e II século. Mais a pergunta talvez seja: Qual tipo de gnosticismo? E esta pergunta se faz necessário pelas ramificações desta linha de pensamento que tratamos anteriormente de forma resumida. Dentro desta linha de pensamento basicamente o gnosticismo se desenvolveu em dois principais grupos: O Docetismo e o Cerintianismo. Estes dois imergiram no cenário histórico do II século e desenvolveram seu corpo doutrinário bastante definido.

Embora possamos perceber de forma sucinta os problemas enfrentados nas igrejas da metade do primeiro século é uma tarefa bastante difícil precisar quais foram às heresias enfrentadas por João. Alguns problemas com os “anticristo”. Possivelmente estes eram também os profetas itinerantes que entraram de forma sutil dentro da comunidade cristã. João explica que embora estivesse todo o tempo no nosso meio como se fossem autênticos cristãos eles não permaneceriam enganando-os por muito tempo, logo sairiam: “Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos.”(I Jo 2:19).

Com base neste texto, podemos identificar que os anticristos haviam sido membros da igreja e deixaram de espontânea vontade. Eles desviaram dos preceitos doutrinários e apareceram mais tarde como falsos profetas que tentavam desviar os membros da igreja( I Jo. 2:26)

Em resumo; podemos definir o docetismo que deriva do grego o verbo que significar parecer, ensinava que Jesus não foi uma pessoa real, de carne e sangue; ele era uma espécie de espectro ou um fantasma como alguns definem. Que Jesus apenas parecia com uma pessoa com um corpo físico formado por substâncias físicas, mais não podia ser material já que a matéria é má e Deus não poderia encarnar, sofrer dores físicas e morrer.

João trata do problema cristológico levantado pelos falsos profetas que negavam a encarnação de Jesus, há nestas afirmações fortes evidências que o proto - docetismo tenha sido uma heresia que ele estava combatendo, visto que o autor confirma a doutrina de que Jesus Cristo é humano e divino e que é filho de Deus. Os falsos profetas recusavam-se a confessar que Jesus tinha vindo em carne( I Jo. 4:2,3 e II Jo: 7). Eles negavam que Jesus é o Cristo (I Jo.2:22). De sorte que Cristo não poderia jamais ter vindo em forma humana. João combate estas heresias exortando os cristãos a permaneceram firmes na verdade que ouviram desde o princípio: “Portanto, o que desde o princípio ouvistes, permaneça em vós.” (I Jo. 2:24).
O princípio doutrinário implícito na expressão “O que desde o princípio ouviste”. É que os cristãos deveriam permanecer firmes nos fundamentos e doutrinas apostólicas, que não se deixar enganar pelos ensinos novos que distorciam e divergiam dos ensinos doutrinários dos apóstolos. (At. 2:42). Ao que nos parece que as heresias docética era algo novo e elaborado com a pretensão de induzir e disseminar suas idéias. João combateu tais ensinos deixando claro a encarnação, morte e ressurreição de Jesus. (I Jo. 1:1, 2, 2:22, 4:2, ).
Em “Contra as Heresias” de Irineu temos o relato sobre um certo Cerinto que viveu no período apostólico em Éfeso:

Há também aqueles que ouviram dele que João, o discípulo do Senhor, ao ir banhar-se em Éfeso e percebendo a presença de Cerinto, precipitou-se para fora da casa de banho sem ter se lavado, exclamando: ‘Apresemos-nos, antes que a casa de banho desmorone, pois Cerinto, o inimigo da verdade, encontra-se lá dentro. ’ (IRINEU apud KISTEMAKER, Simon, Comentário do Novo testamento, 2006, p.287).

O cerintianismo que deriva do nome de Cerinto de Alexandria um de certa forma desconhecido que viveu em Éfeso. Que segundo relatos do I século foi contemporâneo de João e Policarpo. Ensinava que Jesus o filho natural de José e Maria, e o Cristo que desceu sobre a forma de uma pomba no momento do seu batismo, dominou completamente seu ser, e que antes da sua crucificação o abandonou e voltou para Deus. De sorte que Jesus morreu, ressuscitou e simplesmente desapareceu. Cerinto também insistia sobre a adoração no sábado e a circuncisão.

Conclusão:

Seria possível que João esteja na passagem da sua primeira epistola combatendo os ensinos de Cerinto: “Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho.” (I Jo. 2:21, 22).

Sua preocupação contra as idéias de Cerinto seria justificada, estas mentiras deste herege do I século poderiam trazer grandes problemas para a igreja primitiva em plena ascensão, assim como hoje negar a divindade de Jesus, negar a sua humanidade, os sabatistas modernos também devem ser combatidos com a mesma firmeza de João quando afirma que “nenhuma mentira vem da verdade” . Não podemos nos acomodar com estas heresias e deixar que elas se tornem populares entre os irmãos na igreja. Precisamos de forma objetiva, direta e firme dizer que são mentiras assim com eram nos tempos apostólicos.
No tempo presente marcado pelas heresias cíclicas, onde os erros do passando estão tomando uma roupagem nova, precisamos ser vigilantes para com as verdades objetivas da palavra de Deus. A igreja necessita da mesma atitude que tiveram os apóstolos diante dos falsos mestres e profetas itinerantes que traziam na bagagem seus erros, devemos repudiar seus falsos ensinos com a firmeza e zelo pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

Rev. Luciano Gomes da Silva

Bibliografia:

SCHOLZ, Vilson, Novo Testamento Interlinear, SBB,2008;

KISTEMAKER, Simon, Comentário do Novo testamento, Cultura Cristã, 2006;

Novo Testamento Grego,4ª Edição, SBB e DBG, 2009;

STOTT, John R. W.I, II e III João Comentário, Vida Nova, 2008;

MORESCHINE e ENRICO Norelli, História da Literatura Cristã Antiga Grega e Latina-Cláudio, Edições Loyola,1996;

F.WILBUR Gingrich, Léxico do Novo Testamento,Vida Nova-2007;

GREEN, Michael Comentário de II Pedro e Judas, Mundo Cristão, 1983;

BLOMBERG, L. Graig, Jesus e os evangelhos, Vida Nova, 2009;

BERKHOF, Louis ,História das doutrinas cristãs, PES, 1993;

DAVID, Broadus Hale, Introdução ao estudo do Novo Testamento, Hagnos, 2001

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Início das aulas do II Semestre do SPFB



Início das aulas do Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil,será no dia 03 de Agosto; com um culto de abertura às 19:00h na IPF do IPSEP. Rua Hélio Brandão 190, Recife-PE.Informações na secretaria do seminário pelo fone: 081-3471-0954 Srª Neuza velozo.

Disciplinas: Segunda-feira Grego II(Prof. Jaziel Cunha);Terça-feira Pentateuco (Prof. Luciano Gomes); Quarta-feira Período Interbíblico (Prof. Demétrio Rocha); Quinta-feira Homilética (Prof. José Vasconcelos); Sexta-feira Educação Cristã I e II (Prof. Edsom Urbano).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Curso de Linguística pela UFPE



Não percam está oportunidade! A UFPE ofereçe gratuitamente Hebraico bíblico.O curso inicia-se em setembro de 2010 todos os sábados de 10:00h às 12:00h.durante 3 meses.Requesito básico noção de hebraico, interessados enviar Email para o prof. Vicente Masip

Sola Escriptura

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Ser um Cristão reformado é está interessado em se reformar sempre.É prezar pelos princípios da reforma, e estar disposto a adaptar toda a vida e teologia ao exame final das Escritutras.